Brazil

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MANUEL DA COSTA PINTO. Colunista da Folha de S.Paulo. Algumas das melhores antologias de poesia brasileira contemporânea têm sido publicadas fora do Brasil. Foi assim com “Nothing the Sun Could Not Explain” (lançada nos EUA por Michael Palmer, Nelson Ascher e Régis Bonvicino), “Correspondencia Celeste” (coletânea espanhola de Adolfo Montejo Navas) e “Poesia Brasileira do Século 20 dos Modernistas à Actualidade” (editada em Portugal pelo paraense Jorge Henrique Bastos).

O caso mais recente é a antologia da revista “Rattapallax”, de Nova York, que chega simultaneamente às livrarias de EUA e Brasil e inclui um CD com leituras de poemas de autores brasileiros e norte-americanos, além de músicas de Caetano Veloso, Arto Lindsay, Bebel Gilberto e do grupo Zuco 103.

É difícil avaliar esse fenômeno editorial. Tal profusão talvez se deva à necessidade de buscar um território neutro, distante das querelas de grupos que insistem em ressuscitar disputas estéreis entre credos tardo-vanguardistas. Talvez seja, pelo contrário, um fenômeno de internacionalização da poesia brasileira, semelhante ao que aconteceu com as artes plásticas a partir dos anos 50/60, quando o legado modernista deixou de ser um interlocutor compulsório para nomes como Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape, que abriram um canal com vertentes de outros países.

Parece ser esta a proposta de Flávia Rocha, jornalista e poeta responsável pela seleção publicada na “Rattapallax”: “Se no berço do modernismo brasileiro os antropofágicos deitavam um apetite voraz sobre as culturas estrangeiras, tomando-as como ingrediente para uma refeição de caráter nacional, os poetas de hoje tratam o estrangeiro como ente menos estranho, de fácil acesso”.

Obviamente, não se pode comparar a recepção externa de nossa poesia com o modo pelo qual artistas plásticos como Cildo Meireles, Waltércio Caldas e Vik Muniz se impuseram no circuito internacional. No caso da literatura, a língua é e será sempre um obstáculo, não obstante a proposta da “Rattapallax” de incluir em seus próximos números uma seção dedicada à poesia brasileira. O fato é que essa antologia bilíngüe tem um significado muito maior aqui do que lá.

“Rattapallax” reuniu trabalhos de 22 poetas. Muitos deles estão presentes em coletâneas semelhantes e representam algumas linhas de força da poesia contemporânea.

Arnaldo Antunes mantém viva a experimentação concretista em seus poemas impressos e na oralidade de suas participações no CD, em que o vocal espasmódico se transforma em ícone sonoro.

Claudia Roquette-Pinto tem um lirismo disciplinado, dentro da melhor tradição modernista, consignado pela imagem do “poema-lucidez”.

E Tarso de Melo sustenta um diálogo pessoal com a Language Poetry que confirma a proposta dos poetas dessa antologia: “a apropriação do que quer que esteja disponível”, segundo expressão de Flávia Rocha que também vale para as correspondências entre Rodrigo Garcia Lopes e a poesia norte-americana.

O grande mérito da coletânea, contudo, está em enfatizar a importância de autores cuja produção mereceria maior atenção da crítica: a dicção intensa e melancólica de Fabio Weintraub, a poesia voluptuosa de Donizete Galvão, o surrealismo de Ruy Proença, a expressividade precisa de Fabiano Calixto, os silogismos poéticos de Paulo Ferraz e as fantasias pop de Joca Reiners Terron. Outra virtude é divulgar nomes pouco conhecidos, como Rodrigo Petrônio e Dirceu Villa.

Estou omitindo muitos poetas importantes, que todavia já circulam há mais tempo em revistas, sites e coleções de livros. O que importa, aqui, é salientar que a “Rattapallax” conseguiu um difícil equilíbrio ao apostar na diversidade.

Nesse sentido, a feliz inclusão da canção “Fora da Ordem” no CD é não apenas o reconhecimento de Caetano Veloso como um de nossos grandes poetas, mas também uma apologia dessa liberdade pós-moderna de escolher seus interlocutores poéticos: “Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem/ Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final.”

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Rattapallax Poetry Reading in Brazil.

Jerome Rothenberg, Cecilia Vicuña, Jussara Salazar, Robert Minhinnick, Iwan Llwyd, Ricardo Corona, Jussara Salazar, Rodrigo Garcia Lopes & Flávia Rocha. December 2, 2004 at 8pm at Teatro Paiol, Curitiba, Brazil. Sponsored byRattapallax & Travessa Dos Editores . December 7, 2004 at 8pm at Centro Cultural, São Paulo. Sponsored by Rattapallax, Poetry Wales, Editora34 & Cult.

Pulitzer prize winner Yusef Komunyakaa, Edwin Torres, Flávia Rocha in Brazil.

Pulitzer prize winner Yusef Komunyakaa, Edwin Torres, Flávia Rocha, Anna Ross, and 16 leading Brazilian poets. November 11, 2003 at 7:00 PM: Sesc Pompeia, Rua Clelia, 93 Sao Paulo, Brasil. November 13, 2003 at 8:00 PM: Centro Universitario Maria Antonia, Rua Maria Antonia, 294 Sao Paulo, Brasil. Featuring Yusef Komunyakaa, Edwin Torres, Bruno Tolentino & Flávia Rocha. Translations of poems were read.

Rattapallax 9 Launch Party!

Featured in Folha de S.Paulo. May 9, 2003 at 7:30 PM. WhiteBox Gallery, 525 W. 26th St., NYC. Free . Hosted by Edwin Torres & Flávia Rocha. DJ Derek Beres. Featuring Cecilia Vicuña, Todd Colby, Willie Perdomo, Brian Stefans, Marcella Durand, Ange Mlinko, Rodrigo Toscano, Paul Skiff, Chris Daniels, Magdalena Zurawski, Jena Osman, Matias Mariani, and many others.

Rattapallax Poetry Reading and Brazilian Party in London.

Sept. 5, 2004 at 7 PM. Blag Club, 1st floor, 68 Notting Hill Gate, London W11. Tube: Notting Hill Gate. Featuring Roger Robinson, Pascale Petit, Jacob Sam La Rose, Todd Swift, and others. Hosted by Rajesh Bhardwaj & Ram Devineni. Film showing by caraballo-farman, and Fernando Severo. DJs and Brazilian music. Proceeds benefit ABC: Action for Brazils Children. Co-sponsored with Jungle Drums magazine. Also, worked with Oxfam’s Control Arms program.

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Leading International Poets Fight for Social Justice and Arms Control at World Social Forum. / No Forum Social Mundial, Poetas Internacionais Participam da Luta por Justiça Social e Contra o Tráfico de Armas.

South African activist and writer Breyten Breytenbach is part of the international delegation of poets and writers attending the World Social Forum (WSF) to fight for social justice and progressive change. The group worked with Oxfam’s Control Arms campaign and participated in several readings. In addition, Rattapallax magazine filmed indigenous people at the WSF reading and performing their poetry for an online library and future film on endangered languages. The World Social Forum is a major assembly of progressive organizations and was held in Porto Alegre, Brasil from 26 to 31, January 2005. Rattapallax’s reading was on Thursday, Jan 27th, at 6:30pm at the Palco José Marti.

A committed opponent of apartheid, Breyten Breytenbach was a political prisoner serving two terms of solitary confinement in South African prisons. He is the author of The True Confessions of an Albino Terrorist and other collections. Other participants include Palestine poet Nathalie Handal, editor of the anthology, The Poetry of Arab Women (PEN Oakland award winner); and Rattapallax editor Ram Devineni. They will be joined by Brasilian poets Fabrício Carpinejar, author of Cinco Marias and Biografia de uma árvore; Johnny Lorenz, Professor of English at Montclair State University and a Fulbright Scholar; Flávia Rocha, co-founder of Acedemia Internacional de Cinema in Curitiba and an editor atRattapallax; and Marlon de Almeida.

Oxfam, Amnesty International, and IANS’ Control Arms campaign educates the public and lobbies governments to take action against the illicit trade of small arms, which fuel violent conflict, state repression, crime, and domestic abuse. “We are providing the arms for the next generation of people who are going to commit genocide. Let’s not fool ourselves. It needs to stop,” comments Breyten Breytenbach. He adds, “The ban of anti-personnel mines was the first step and I think the control of arms is the next. We hope writers, artists, and musicans will join the global challenge to educate the public on this issue.”

Breyten Breytenbach, ativista e escritor da África do Sul, faz parte da delegação internacional de poetas e escritores, participando do Fórum Social Mundial (FSM) na luta por justiça social e por um mundo melhor. O grupo vai colaborar com a campanha “Control Arms” (da organização OXFAM) e vai apresentar poemas e palestras. A revista RATTAPALLAX vai filmar comunidades indígenas no FSM participando em vários eventos, com o objetivo de fazer uma biblioteca virtual e também um filme sobre idiomas em perigo. O FSM é um encontro importante de organizações progressistas e vai acontecer em Porto Alegre, Brasil, de 26 a 31 de janeiro de 2005.

Opositor do “apartheid” na África do Sul, Breyten Breytenbach foi um prisioneiro político (passando dois anos em detenção solitária). Ele é autor de The True Confessions of an Albino Terrorist e várias coletâneas. Outros participantes serão a poetisa palestina Nathalie Handal, editora de The Poetry of Arab Women (que ganhou o prêmio PEN Oakland) e autora de The NeverField, e Ram Devineni, editor da revista RATTAPALLAX. Johnny Lorenz, poeta e tradutor do gaúcho Mario Quintana (bolsa Fulbright), também vai apresentar os seus poemas. Três poetas brasileiros maravilhosos vão participar do evento, incluindo o Fabrício Carpinejar (Biografia de uma árvore, Caixa de Sapatos, e Cinco Marias), Flávia Rocha (fundadora da Academia Internacional de Cinema em Curitiba, poeta e jornalista), e o poeta Marlon de Almeida (Malabares). O evento de poesia no Fórum Social tem como título “Poesia Internacional” (da organização RATTAPALLAX).

OXFAM, Anistia Internacional, e a campanha “Control Arms” têm como objetivo educar o público e influenciar governos para proibir o tráfico de armas pequenas. Breytenbach comenta: “Neste momento, a sociedade está fornecendo armas para a próxima geração de pessoas que vão fazer genocídio; não devemos nos enganar, porque temos de acabar com isto… Proibir as minas “anti-pessoal” foi o primeiro passo e acho que o próximo vai ser proibir as armas pequenas. Esperamos que escritores, artistas, e músicos participem do desafio global para educar o público sobre esta luta.”

DJ Each tours Brazil in aid of Control Arms.

In an effort to raise the profile of the Control Arms Campaign in Brazil, London-based DJ Each took the message across the country throughout September 2004. Starting closer to home with London’s Brazilian community, DJ Each kicked off at Rattapallax Poetry & Music Party @ Blag Club in Notting Hill, garnering extensive coverage in the bilingual British/Brazilian ‘Jungle Drums’ magazine in its 16th edition.

Following this hugely successful launch, which saw many people actively discussing the issues and queuing up to join the Million Faces Petition, the tour moved onto Brazil. A packed-out saturday night at ‘Off Road Project’ in Bahia was the first port of call. Club Owner Marcia Franco was so impressed with Each’s electro-house grooves and the clubbers’ response to the Control Arms message, she invited us back in February for another night of campaign clubbing!

Next up was a storming night at the famous ‘Spin Club’ in Porte Alegre, alongside award-winning Brazilian electro DJ Oscar Bueno. Local Fashion Designer / Promoter Marquinhos Rocha did such an outstanding job building support for the event that the overwhelming numbers of people queuing to get in proved to be far in excess of what the club could actually hold! Hearing of this, prominent Brazilian fashion house ‘Zapping’, who had the club booked for the next night, stepped in and invited us to share the venue with them! The follow-up night was another huge success, with as many people eager to learn about the campaign and join the Petition, as there were getting busy on the dancefloor.

‘D-EDGE’ in Sao Paulo is widely regarded as among the finest clubs in Brazil and as such, Each’s & Control Arms campaign finale received a lot of media attention, including a two-page spread in the popular ‘Beatz’ magazine, in its 12 edition. The line-up was again with Oscar Bueno and this time, together with another Brazilian electro-music star, Dj Magal and Freakplasma Band, under the promotion of Dj Glaucia ++ & Simone Sutilli. Although officially finished after this last big night, Each has been invited by Oscar Bueno to extend the tour with a final FINAL performance at D-EDGE top after-hours, ‘Paradise’.