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Poetas
brasileiros em publicação americana
Em edição bilíngüe, 'Rattapallax 9' traz 25 colaboradores
nacionais, Caetano Veloso entre eles
HAROLDO CERAVOLO
SEREZA
Na apresentação
da edição bilíngüe da revista norte-americana de poesia
Rattapallax 9 (Rattapallax Press/Ed. 34, 112 págs.,
R$ 23), a co-editora Flávia Rocha - com Edwin Torres
- escreve que a poesia brasileira contemporânea brota
no solo "tratado por décadas de modernismo e de vanguardas":
"Se no berço do modernismo brasileiro os antropofágicos
deitavam um apetite voraz sobre as culturas estrangeiras,
tomando-as como ingrediente para uma refeição de caráter
nacional, os poetas de hoje tratam o estrangeiro como
ente menos estranho, de fácil acesso."
A leitura de
parcela considerável dos 25 colaboradores brasileiros
sugere que Flávia faz uma leitura muito precisa desse
cosmopolitismo. Claudio Daniel, por exemplo, parece
estar vivendo no Irã, entre a Grécia e a China, ao tratar
em Liber Aquae (título original em latim) sobre tapeçarias
e dragões, lembrando nomes como os de Lao Tzu e Heráclito.
Fabiano Calixto, em Oxumaré entre os Iorubas, fica em
algum ponto do Atlântico, entre Benin e Salvador, "em
preto e branco/ e búzios/ sigilo e silêncio". Num caso
bastante curioso, Moacir Amâncio, jornalista do Estado,
escreve em inglês sobre girassóis e jardineiros, mas
se aproxima mais do universo israelense e húngaro do
que de qualquer país anglo-saxão. Haveria outros nomes
que permitiriam algumas mais associações geográficas,
mas esses já servem para sustentar bem a tese.
Por outro lado,
ainda se sente a influência repressora, não mais onipresente
- o que é bastante saudável -, de poetas como Carlos
Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto e de
um modernismo, às vezes, já bastante explorado. Donizete
Galvão, por exemplo, tenta uma volta à pedra (a do caminho
do primeiro e da educação do segundo) em Silêncio. Chantal
Castelli dedica, inclusive, um poema bastante drummondiano
a Drummond - Constelação começa assim: "Tento recompor/
as parede de louça/ a porta da rua apodrecendo." Ricardo
Corona brinca com as palavras em Esses Esses, quase
um poema-piada (falta-lhe a verdadeira graça), e Ademir
Assunção, em Câmera Indiscreta, se preocupa com um olho
que olha seu olho ("Olho o olho que me olha/ olho o
olho", etc.).
Finalmente, parece
um pouco fora de propósito que essa publicação cheia
de nomes pouco conhecidos mesmo dos brasileiros, tão
corajosa nesse sentido, publique Fora da Ordem, de Caetano
Veloso, um compositor/poeta para lá de canônico, no
bom e no mau sentido, da cultura brasileira.
Como costuma
ocorrer em qualquer reunião de autores, há altos e baixos
nessa revista. Mas há frescor suficiente, uma aparente
libertação, que, claro, está distante das grandes editoras
brasileiras. Mais do que qualquer outro gênero, a poesia,
especialmente quando não é a do cânone (mesmo que o
siga), fica de fora do grande mercado. O que, diga-se,
faz todo o sentido no aspecto comercial. Mas que pode
dar a impressão de que tudo está parado, de que só há
repetição e reverência ao passado.
Rattapallax (a
palavra que dá nome à revista semestral fundada em 1999
é uma onomatopéia para o som do trovão e foi retirada
de um poema de Wallace Stevens), com seus poetas brasileiros,
apresenta bons indícios de que não é bem assim, mesmo
que assim pareça.
A nona edição
é a primeira distribuída no Brasil (pela editora 34).
Além dos brasileiros, mais 24 poetas de língua inglesa
colaboram neste número, que traz ainda um CD com poesias
lidas pelos próprios autores.
Segundo a revista,
a partir deste número, todas as novas edições contarão
com a participação
de poetas brasileiros.
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Terça-Rima
Mário
Hélio
E-mail: m.helio@terra.com.br
Com
a previsão de lançamento em setembro da nova edição
de Casa-Grande & Senzala, pela Editora Global, aumenta
a curiosidade sobre como será essa estréia paulista
da obra máxima de Gilberto Freyre. Desde que foi lançada,
há 70 anos, foram os cariocas os que tiveram o privilégio
de editá-la. Primeiro, Schmidt, depois José Olympio
e, há vários anos, a Record. Parecia uma justiça histórica
ao Rio de Janeiro, pois lá, em 1931, é que se iniciou
a redação da obra, época de duras privações materiais
para o autor.
Há muitas curiosidades em torno da história editorial
desse livro. No Brasil, o maior incentivador dela foi
Rodrigo M. F. de Andrade. Obra que nasceu, como se sabe,
do exílio sofrido pelo autor em 1930 (explodiu a revolução
e ele que servia ao governador Estácio Coimbra acompanhou-o
ao exílio em Portugal).
Em 1932, o livro ainda não tinha o seu título definitivo,
e sim este Vida sexual e de família no Brasil escravocrata.
Em junho de 1933, estava praticamente terminado, e foi
lançado em dezembro desse mesmo ano.
A fortuna crítica de Casa-Grande & Senzala sempre
foi rica. No ano passado, ainda mais se ampliou com
a edição da Unesco, que quase ninguém ainda viu no Recife.
Livraria como a Kriterion e a própria Fundação Gilberto
Freyre bem que poderiam tentar vendê-la.
Em 1966, o governo de Pernambuco resolveu fazer uma
edição popular da obra, em dois volumes. Quase três
anos depois é que saiu o segundo. Faz falta a obra em
preços mais acessíveis. Mas há edições para todos os
gostos e em várias línguas.
Agora é a vez da Global, com o desafio de fazer chegar
às massas, em roupagem moderna e atraente, esse biscoito
fino. O que não será difícil a Luiz Alves, que é, de
origem, padeiro profissional, e que vem publicando com
sucesso alguns dos maiores clássicos brasileiros, como
Câmara Cascudo.
Rattapallax
Tendo a Editora 34 como parceira, a prestigiada revista
de poesia norte-americana Rattapallax reúne um bom número
de brasileiros. A seleção e organização dos textos ficaram
a cargo de Flávia Rocha e Edwin Torres. Traz letras
de Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Arto Lindsay, Bebel
Gilberto e o New Sound of Brazil. A pernambucana Jussara
Salazar está incluída na antologia da revista que faz
sucesso entre os aficionados há quatro anos, e sempre
inclui um CD de poesia como uma atração a mais das suas edições, que reúne sempre os contemporâneos. Maiores informações
nos sites: http://www.dialoguepoetry.org
e no http://www.rattapallax.com
Fafire
A professora Maria Irandé Antunes, doutora em Lingüística
pela Universidade de Lisboa, faz palestra no XIII Fórum
Fafire de Idéias Contemporâneas, nesta quinta-feira,
a partir das 19, no auditório da Faculdade de Filosofia
do Recife (Av. Conde da Boa Vista, no centro). O tema
é Textualidade: princípios e implicações pedagógicas.
Antes da apresentação, o Fórum discutirá o preconceito
lingüístico nas escolas públicas. O encontro é gratuito.
Mais informações pelo tel. 3423.1522.
Coyote
Chega ao número 4 a revista trimestral Coyote,
especializada em poesia e artes, e editada em Londrina
(PR) pelos poetas Ademir Assunção, Mascos Losnak e Rodrigo
Garcia Lopes. Vem com um protesto contra a globalização
da violência. Há dossiê sobre a poetisa norte-americana
Rosmarie Waldrop. E mais textos de Guy Debord, Sebastião
Nunes, Frederico Barbosa, Donizete Galvão, entre outros.
No Recife, a revista pode ser encontrada na livraria
Kriterion.
Prêmio
O Núcleo de Estudos Americanos - NEA, da UFPE, lança
no próximo mês, o I Prêmio Nea-Fulbright de Ciências
Humanas. Podem concorrer teses (doutorado), dissertações
(mestrado) e monografias (graduação), defendidas entre
os anos de 2000 e 2003, cuja temática aborde aspectos
da realidade dos Estados Unidos e do Brasil, analisados
sob a perspectiva da Sociologia e Ciência Política.
Os prêmios variam de R$ 1.500 a R$ 6.000. Informações:
premioneafulb@nea.org.br ou
3271 8594.
Pscanálise
Sai o número 8 da revista Veredas, da Escola de Psicanálise
Traço Freudiano Veredas Lacanianas. Há 15 artigos reunidos
que tratam de temas como escuta, transferência, mitologia,
histórias de trancoso, corpo, sujeito, psique. Entre
os autores estão Paulo Medeiros, Teodora de Barros e
Eugênia Menezes.
Frase
T. S. Eliot sobre Henry James: "Tem uma mente tão refinada
que nenhuma idéia pode violá-la". O New Statesman sobre
T. S. Eliot: "Demonstrou que sabe escrever versos sem
rima, e só isto. (...) Suas paródias são pobres e suas
imitações de baixa qualidade."
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