|
Uma
onomatopéia e um P.S.
Editada
desde 1999, a revista Rattapallax, que começa a ser
distribuída no Brasil pela Editora 34, reúne alguns
bons nomes da poesia brasileira contemporânea. A publicação
traz um CD encartado com a leitura de alguns dos poemas
feita pelos próprios autores
Manoel Ricardo de Lima
Articulista do Vida & Arte
Uma onomatopéia para o som do trovão: ''rattapallax''.
O dono do registro é o poeta americano Wallace Stevens.
O mesmo que escreveu um meu poema favorito, aquele que,
se fosse de fato poeta, queria também ter escrito: ''The
man with the blue guitar'' (''o homem do/com o violão
azul''). Autor de versos como ''basta uma vela para
iluminar o mundo'', ''Então a vida é isso: as coisas
como são?. São versos que de tão simples não estão mais
em lugar nenhum. Reverência à parte, há uma revista
de poesia contemporânea nos EUA, N.Y., editada desde
1999, semestralmente, que tem como nome o ''Rattapallax''
de Stevens. E chega ao número 9. E a partir deste número
9 começa a ser distribuída no Brasil pela Editora 34,
de São Paulo, e a trazer conversa e gesto com alguns
autores da poesia brasileira mais para cá.
Bom, este número da revista traz uma espécie de coletânea,
mostra, antologia, o que seja, organizada por Edwin
Torres e Flávia Rocha, uma solapa de coisas, recortes,
de alguma poesia feita no Brasil e de alguma feita nos
Estados Unidos. (E é bom que se diga, neste mal estar
gerenciado por um desafeição organizada, os americanos
inventores do blues e da coca-cola praticam uma poesia
bastante interessante e que alça problemas inclusive
e principalmente para eles mesmos. Só para não ficar
na zona do ataque e não tomar senso que o buraco é humano
e que a palidez do mundo está mesmo é dentro da gente,
enfim).
E não há mais muito a dizer das antologias, das seletas
antologias que se escabelam por aí, cansadas, quase
todas. Mas no caso de uma revista, a coisa toma outro
senso. Porque não é um livro para, não é um corte de
coisas que sempre descambam pra um troço de geração
que é mesmo uma monotonia, e que não diz nada de ninguém
pelo fato de ter nascido na mesma década de outro, por
exemplo, ou porque apareceram com seus primeiros livros
no mesmo ano ou década. É botar farinha no mesmo saco:
dar a mesma força porque os autores nasceram em série
na mesma década. Mas ainda penso que poesia não é nem
se dá a ver como reprodutibilidade técnica, nem como
fofoca. Mas talvez como silêncio, e olhar.
O
fato é que Rattapallax junta alhos
e bugalhos, ou todo mundo, ou pelo menos um monte de
gente. Tanto que os organizadores não dizem dela, da
seleção, direito. Até porque penso não há muito que
dizer, ou como se dizer. Toma-se à mão quem está à mão.
Mas os autores são tão distantes meio que de propósito
mesmo, tomo por pensar isso, pra que faça algum sentido.
E aí, não sentido de entendimento ou ordem, mas sentido
de estabelecer cartografia, alguma que seja, para deixar
posto o que já está posto em revistas, livros, suplementos
etc. E aí, nisso, somos mestres, no chafurdo de querer
estar, seja lá onde, seja como for, só para estar.
Mais
há coisas preciosas neste número de Rattapallax,
a meu ver, pelo menos; ou que simplesmente me interessam
porque gosto destas coisas, são peças que tomo por incorporar
como muito bonitas e pronto, ponto. Bom dizer antes
que a revista vem com um CD encartado. Nele, leitura
de alguns dos poemas feita por seus próprios autores.
A leitura de alguns poemas os refaz. O poema ''Pai''
de Fabio Weintraub, por exemplo, é de uma delicadeza
com a vida que nos retira prumo quando ouvimos o mesmo
Fabio dizer ''dizendo que morre antes disso / que não
vai dar trabalho / que some de casa / vai pro asilo''.
Ou os versos fortes de ''Deserto (fragmento 21), de
Tarso de Melo: ''e o céu do sábado / à tarde / imperfeito
adere ao asfalto''. Entre, poemas que estão de Ricardo
Aleixo, Joca Reiners Terron, Jussara Salazar, Cláudia
Roquette-Pinto, Paulo Ferraz, Ruy Proença etc, em traduções
de Chris Daniels, Michael Palmer, Matias Mariani, Guy
Bennett etc.
Em
diante, é bom notar a revista. Outras cartografias,
creio, estarão sendo postas à vista dentro dela. E de
uma forma ou de outra, montamos a nossa própria cartografia,
e é isso que interessa, vendo o que de ruim e bom há
nela, porque com isso também se aprende, como do canavial
o mar, como do mar o canavial.
Um
p.s. para dizer uma pequena notícia: acaba de
sair em Fortaleza o primeiro número de uma pequena revista
de poesia: Gazua. Editada por alguns bons
meninos, penso, porque está claro que a revista é deles,
feita por eles, com as coisas deles e tomara que com
o dinheiro deles. Os poemas estão lá ainda meio sem
tráfego, sem saber direito, mas isso ajunta percurso,
e isso se percebe, quase claro, algo está sendo feito
e começa a estar mostrado com algum resto de dignidade.
Não há orelha de ninguém, nomeação de ninguém, indicativo
disso ou daquilo feito por ninguém que não eles mesmos.
É bom ver as peças nelas mesmas, por elas mesmas e se
com algum indicativo para a mostra, indicadas apenas
por eles que editam, fazem, escrevem, lêem uns para
os outros. E entre, pra esticar um pouquinho o p.s.,
dois pequenos bons acentos, o que vale como escrito
e que pode ser aberto com a gazua: o sereno poema de
Viviane Mosé, ''Prosinha'', e o inadequado, muito inadequado,
mas bom poema de Eduardo Jorge, ''Tarja para Postigos'',
fragmento final dele: ''as unhas podiam / pedras //
e / formigas doces / preparam projetos / de formigueiros
/ aéreos:
Manoel
Ricardo de Lima escreveu Embrulho (7Letras,
RJ) e Falas Inacabadas, em diálogo com
objetos de Elida Tessler (Tomo, RS)
SERVIÇO:
Rattapallax - Revista de poesia. Editora
34, R$ 23,00. (11) 3816.6777. editora34@uol.com.br.
www.rattapallax.com
Gazua - exercício de poesia - Publicação
independente e semestral de poesia cearense. 281.5500.
r-gazua@yahoo.com.br
MANOEL RICARDO DE LIMA ESCREVE MENSALMENTE NESTE ESPAÇO
|
A
Poesia Pula o Muro
A
poesia contemporânea brasileira anda em alta. A novidade
da vez é o lançamento da revista ''Rattapallax'', publicada
em Nova York e que a partir de agora ganha distribuição
no país pela editora carioca 34. O número de estréia
em prateleiras tropicais traz uma coletânea bilíngue
reunindo autores norte-americanos e locais, além de
um CD com os textos oralizados pelos participantes.
''Rattapallax'' circula há três anos com periodicidade
semestral. O título é uma onomatopéia para o som do
trovão e foi emprestado do poema ''Frogs Eat Butterflies.
Snakes Eat Frogs. Hogs Eat Snakes. Men Eat Hogs'', de
Wallace Stevens. Entre os autores nacionais contemplados
nesta edição estão Arnaldo Antunes, Claudia Roquette-Pinto,
Joca Reiners Terron, Tarso de Melo e Donizete Galvão.
Uma
seção destinada a compositores destaca Caetano Veloso,
Bebel Gilberto, Arto Lindsay e o ainda desconhecido
grupo Zuco 103. O bloco dos americanos inclui nomes
como Willie Perdomo, Anselm Berrigan, Juliana Sparh,
Elizabeth Alexander e Jena Osman. Do Paraná, marcam
presença os curitibanos Ricardo Corona e Jussara Salazar,
além dos londrinenses Rodrigo Garcia Lopes, Neuza Pinheiro
e Keila Alaver (esta assinando o visual da contracapa).
O
paulista Ademir Assunção, que estudou e trabalhou durante
a década de 80 em Londrina, também foi escalado. A antologia
inaugura uma seção fixa de poesia verde-amarela nas
páginas da revista, que passa a trazer regularmente
contribuições de artistas, poetas e escritores brasileiros.
O intercâmbio, trivial para os editores da publicação,
vem desde os primeiros números com a veiculação de poemas
oriundos dos mais diversos países.
''Rattapallax''
é, na verdade, apenas um dos projetos desenvolvidos
pelos editores Edwin Torres e Flávia Rocha. Eles atuam
também junto à ONU e à Unesco na programação de eventos
ligados ao Dia Mundial da Poesia. No ano passado, organizaram
leituras no topo de vinte montanhas para celebrar o
''Ano da Montanha'', criado pela Organização das Nações
Unidas.
Torres
é autor do livro ''The All-Union Day Of The Shock Worker''
e do CD ''Holy Kid (Kill Rock Stars)''. Flávia Rocha
é jornalista com passagens pelas redações das revistas
Bravo! e Carta Capital. No texto de apresentação de
''Rattapallax'', ela enfatiza o viés emergente dos poetas
elencados assinalando ainda que ''há mais pontos em
comum entre as várias obras do que diferenças''.
''O
mundo é um só, e no quintal dos achados-e-perdidos,
todos os movimentos e as referências se misturam'' anota.
Embora de matriz novaiorquina, a proposta editorial
filia a revista ao boom de publicações literárias que
sacode o país há pelo menos 5 anos e que abrange títulos
como ''Coyote'', ''EtCetera'', ''Ácaro'' e ''Inimigo
Rumor''. São através delas que os leitores poderão entrar
em contato com a nova poesia brasileira. ''Rattapallax''
traz 112 páginas e 22 poetas. Chega às prateleiras a
R$ 23,00.
Fonte: Luciano Sá
30/05/2003
Revista
americana de poesia ganha edição brasileira
Chega
ao País a edição de número
9 da revista americana Rattapallax, que publica textos
de vérios países e de poetas de várias
gerações. Já participaram de suas
páginas nomes como Billy Collins, Marilyn Hacker,
Lou Reed, Abbas Kiarostami e Bretyten Breytenbach.
A
publicação, semestral, passa a contar
a partir de agora com seções bilíngües
inglês-português em todos os números,
trazendo sempre contribuições regulares
de artistas, músicos e escritores brasileiros.
Os editores são o poeta norte-americano Edwin
Torres, e a jornalista brasileira Flávia Rocha.
No País, a Rattapallax sairá pela editora
34.
O
número 9, New Brazilian & American Poetry,
traz poetas brasileiros como Rui Proença, Fábio
Weintraub, Moacir Amâncio, Claudia Roquette-Pinto,
entre outros, bem como composições e letras
de Caetano Veloso, Arto Lindsay, Bebel Gilberto e The
Now Sound of Brazil. Dentre os poetas americanos, destacam-se
Willie Perdomo, Anselm Berrigan e Jena Osman.
(Fonte: Estadão)
Para se cadastrar no Amai-vos, clique aqui!
New
Pages
This
issue of Rattapallax focused on new Brazilian
poetry, presented in the original Brazilian-Portuguese
along with the English translation, as well as a scattering
of experimental American writings. Quite a bit of the
poetry in this issue was a little too clever or experimental
for me, but I warmed up to some of it after more than
one reading, particularly Rodrigo Garcia Lopes’ “Thoth.”
Here’s an excerpt from the English translation of the
final paragraph of that prose poem:
“The
scintillae of the invisible, splinters of Osiris, silence
denuding the secret made of dry petals; rain’s paradox
refining its metals. All is made light when light liquefies
into sound, rain out of season. Signs. Serpents spiral
in their skin…”
Kudos
to translator Chris Daniels for his work on that poem
as well, as he really got the fabulous sound effects
from the original to come through. I also liked Brenda
Coultas’ “An Early Alphabet” and Fabio Weintraub’s “Universal
Gravitation.” The issue included a CD (a practice that
this journal pioneered and is starting to catch on)
that had audio files of poets from the issue reading
their work as well as some Brazilian electronic music
classified as “Now Sound.” This style of music is referenced
in a short essay in the journal so you can use that
as your guide to this experimental sound of the moment.
If you are feeling adventurous and want to get a peek
at the avant-garde writers of Brazil, this is your issue.
<more
press>
|